Através do ballet clássico há o trabalho de eixo
corporal, onde o ator poderá ter uma consciência de seu corpo em toda sua
estrutura, sabendo trabalhar partes isoladas, ganhando um domínio melhor sobre
sua estrutura e melhorando suas linhas estéticas.
Utilizando técnicas da dança contemporânea o ator poderá
conhecer várias formas de movimento e expressão corporal, construindo um
vocabulário de movimentos que o ajudará na composição de cenas e utilização do
corpo na construção de personagens.
Renato Ferracini em suas pesquisas tem muito presente
essa questão da dança no corpo do ator.
“O ator-dançarino, ou mais genericamente, o
atuante, por definição comum, é um artista do corpo. Isso significa, em
primeira instância, que ele usa, como território primeiro de trabalho, seu
corpo – corpo-físico celular- nervoso-fisiológico-mental inserido em seu
cotidiano, que a partir de agora chamo de corpo cotidiano - em toda sua
potencialidade artística, transformando-o em suporte estético de sua arte – um
corpo artístico, que chamarei de corpo-subjétil. Criar um corpo-subjétil, nesse
caso, seria a capacidade do ator em usar uma “vida”, uma pulsão de vida de seu
próprio corpo cotidiano insuflando, imprimindo organicidade a esse mesmo corpo
quando em Estado Cênico. Em outras palavras, o corpo-subjétil é um artificial
artístico, e portanto inorgânico, possibilitado pelo corpo cotidiano,
portanto orgânico. O momento
do Estado Cênico é, então, um inorgânico/orgânico,
coexistente e paradoxal, e é esse próprio
paradoxo que possibilita o estado “vivo” do ator.( O corpo cotidiano e
o corpo-subjétil: relações, Renato Ferracini, p.01,LUME – UNICAMP)
Nosso corpo precisa ser
treinado, utilizando toda sua potencialidade. No cotidiano usamos nosso corpo
para diversas atividades e do aprimoramento dessas atividades diárias iram
surgir novas capacidades que serão utilizadas em cena, que serão aprimoradas
pelo ator em exercícios, nesse caso será usado as técnicas de dança para gerar
novos atributos ao movimento em cena.